quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quando o verniz estala...


A notícia aqui.

Autoridades disto e daquilo...



Existe um conjunto de entidades públicas que eu gostava de saber a sua real função. Normalmente a missão destas entidades é de, segundo as próprias, fiscalizarem e agirem em conformidade sobre os operadores nas suas áreas de intervenção. Temos como exemplo a Autoridade Nacional de Comunicações(ANACOM), ou a Alta Auto Autoridade para a Comunicação Social, ou o Banco de Portugal!!!

Estas entidades em vez de fiscalizarem, com uma atitude pró-activa, ficam enfiados nos seus luxuosos escritórios, à espera que os operadores das suas áreas de intervenção metam a pata na poça, para depois agirem em conformidade.

Ora vejamos. Uns meses atrás tive um desaguisado com um operadora de comunicações móveis, em que decidi apresentar uma reclamação com o conhecimento de várias entidades:a própria operadora, a DECO e a ANACOM.
Tanto a operadora como a DECO responderam que estavam a acompanhar o caso e que em breve eu iria ser contactado(como fui), para resolvermos o problema. A resposta da ANACOM foi no mínimo hilariante. "Não podemos fazer nada, mas se houver algo comprovadamente errado... avisem-nos para nós irmos lá e cobramos a multa". Ou seja, eu teria que ter o trabalho e custos todos para que a ANACOM de seguida fosse cobrar uma multa que ira encher os seus cofres.Segue parte da resposta da ANACOM:

"...No entanto, não tem esta Autoridade, de acordo com a lei, poderes para conciliar, mediar ou resolver conflitos entre os utilizadores e os prestadores de serviços. Se, com base numa reclamação, forem detectados indícios de infracção à lei por parte do prestador de serviços, isso dará lugar a um procedimento que poderá culminar na aplicação, pela ANACOM, de uma sanção a esse prestador. Tal, porém, não resolverá o conflito que motivou a reclamação, nem imporá ao prestador de serviços quaisquer obrigações para com o reclamante, nomeadamente de indemnização dos prejuízos eventualmente sofridos..."

Conclusão a ANACOM apenas serve para centralizar o dinheiro das multas dos operadores da sua área de intervenção, mas sem mexer uma palha.

Bem agora podíamos falar das outras Autoridades, como o Banco de Portugal, mas isso fica para um outro post.



No fundo, fico com a sensação que a única Autoridade que faz realmente o seu trabalho é a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica - ASAE, e curiosamente é a mais criticada!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Eu não quero influenciar, mas...


Parece que o "meu" favorito para os Oscar's é cada vez mais favorito...

Nos BAFTA foi assim.

Sinais de Fogo, a sequela

O nosso Ricardo já se debruçou um pouco sobre os momentos mais quentes da entrevista e estou, no geral, de acordo com o que disse, pelo que faço minhas as palavras dele e avanço para uma questão concreta. Inaugure-se um tag novo e falemos de economia.

Tal como já foi aqui sublinhado, Sócrates mostrou estar à vontade com os números e soube responder com clareza e convicção às perguntas de um Sousa Tavares a quem faltou alguma bagagem neste dossier. Sobretudo, o nosso primeiro-ministro conseguiu deixar no ar a nota de serenidade e confiança de que o país necessita. Numa altura em que estamos sob o apertado escrutínio da Europa e do mundo, é importante ter um chefe de governo que saiba desdramatizar e inverter o sentimento de pânico que se tem gerado em torno das nossas contas públicas e que pode assustar o tecido empresarial até um ponto em que não haja investimento, criação de riqueza e dinamização do mercado laboral. Ponto para Sócrates.

Para além disso, é preciso agradar também às agências internacionais de ratings, cujos comentários incendiários sobre a situação económica de Portugal levaram ainda há duas semanas (se a noção de calendário não me falha) a que o custo de assegurar a dívida soberana portuguesa fosse equiparado ao do Cazaquistão! Como se isto tivesse algum fundo de justiça. Os mercados ficaram com mais medo de comprar as obrigações do Tesouro português e isso faz com que tenhamos mais dificuldades em refinanciar e lidar com a dívida pública. Aquilo de que não precisamos mesmo é que os mercados comecem a desconfiar de nós, tal como está a acontecer neste momento com a Grécia, e nos obriguem a pagar juros mais elevados em cada emissão de dívida.

Trocando por miúdos, é como se fôssemos ao banco pedir um empréstimo mas as nossas finanças familiares fossem algo duvidosas. O banco empresta na mesma, mas cobra um juro altíssimo devido ao risco de incumprimento das prestações, o que nos dificulta ainda mais o orçamento lá de casa. É um daqueles casos em que não basta termos capacidade de lidar com as nossas finanças, mas é preciso convencer também os outros disso. Como acontece com a mulher de César: não basta ser, é preciso parecer. Também aqui, Sócrates teve a postura correcta.

E, realmente, olhando friamente para os números, não mentiu. Os principais indicadores em causa - défice orçamental e dívida pública - estão em linha com os dados dos demais países da OCDE e da Zona Euro. O lamaçal de que se fala está um pouco por todo o lado e a enxurrada ainda não chegou verdadeiramente à economia real.

Se para as empresas o abrandamento do consumo foi desastroso, a verdade é que para quem conseguiu manter o emprego as coisas até melhoraram: os juros dos empréstimos desceram, a inflação dos preços ao consumidor travou a fundo, os incentivos ao consumo permitiram-nos comprar casas e carros mais baratos… Medo tenho eu de quando começarmos a crescer e já não houver necessidade de manter os estímulos à economia. Aí, sim, preparem-se para ver o que custa equilibrar as contas públicas.

Mas adiante. Também nesta entrevista ficou patente que Sócrates é um homem que pensa mais além. É preciso travar o défice e reduzir a dívida, é certo, mas há diferentes formas de o fazer. O famigerado TGV, que tanta fervura tem levantado, é uma forma, quanto a mim inteligente, de criar emprego e riqueza, ao mesmo tempo que se fortalece o país na luta contra o nosso estado periférico em relação à Europa. Para um país que retira boa parte do seu crescimento das exportações, isto é essencial. E quem diz TGV diz aeroportos, portos, estradas e demais infra-estruturas que nos coloquem um pouco mais perto dos nossos parceiros económicos.

Bem me lembro de ser pequena e ouvir os graúdos constantemente queixar-se de que Cavaco só sabia fazer estradas e auto-estradas. No entanto, são essas estradas que hoje permitem que uma encomenda saia do Porto de Lisboa e chegue rapidamente ao Algarve ou a outro qualquer extremo do país. Sem vias à altura, tenho a impressão de que Portugal ainda continuaria a parecer-se com uma versão envergonhada da Aldeia da Roupa Branca.

Outro dos cavalos de batalha de Sócrates é a modernização das nossas fontes energéticas, que é como quem diz, as energias renováveis. O nosso Portugal à beira mar plantado tem vento, tem rios e tem marés, mas continua a aproveitar muito pouco disto e a fazer-se refém do petróleo. Se não começarmos a aproveitar os recursos hoje, amanhã vamos chegar à conclusão de que nos atrasámos e ainda acabamos a comprar energia aos espanhóis enquanto deixamos que a brisa (e não falo da concessionária de auto-estradas) nos passe ao lado.

Ora, a isto se chama investimento público. E em tudo isto se gasta dinheiro cujos frutos podem não ser integralmente colhidos a curto prazo. Mas a longo prazo, seremos mais modernos e mais fortes para competir num espaço que é cada vez menos o do nosso quintal.

Por tudo isto, ratifico a avaliação do Ricardo de que temos homem com fôlego para a legislatura completa e acrescento que esta entrevista me deixou um bocadinho mais confiante de que não terei de ir à procura do cartão de eleitor tão cedo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sinais de Fogo a golear...


Quando soube que o primeiro convidado do Miguel Sousa Tavares no seu novo programa da SIC era o primeiro ministro José Sócrates pensei logo: "Que grande golo".

Ter Sócrates em "prime-time", que todos os jornais e redacções queriam ouvir neste momento, é a primeira grande vitória da SIC e do seu novo "ponta de lança" acabadinho de chegar no mercado de inverno.

Vi o programa com atenção. Achei o genérico um pouco do estilo "eu sou o MST e amo-me". Mas não vou apreciar um programa de jornalismo puro pelo seu genérico e analisando o programa como um todo achei positivo.

A primeira parte foi dedicada a três temas que são caros para o próprio MST: o Segredo de Justiça, os Hospitais e o novo Aeroporto de Lisboa. Acompanho as crónicas do MST no Expresso há bastante tempo para saber o que podia esperar. Faltaram os contentores de Alcântara e os direitos dos fumadores ou dos caçadores. No entanto foram apresentados factos e números. E em nenhum dos assuntos ouso em discordar do jornalismo efectuado. Factual e transparente.

A segunda parte teve então o convidado da noite. Aposta forte. José Sócrates himself. Notou-se o respeito que o MST tem pelo Primeiro Ministro (respeito esse que é óbvio nas já citadas crónicas. Foi contundente... ao seu estilo. Mas nunca deselegante. Fez todas as perguntas que devia saber e tocou em todos os assuntos menos no Freeport (foi curiosamente Sócrates que falou no caso.

Começou pela Madeira. E fiquei com a sensação que os trágicos acontecimentos que aconteceram na Ilha vão acabar por ser uma bóia de salvação para Sócrates e uma âncora para Teixeira dos Santos. MST questionou o PM acerca dos Projectos de Interesse Nacional (os PIN são outro ódio de estimação do MST) e de dois exemplos: um centro comercial na Madeira e um centro logístico em Castanheira do Ribatejo construídos em leito de cheia. Se no segundo caso o PM safou-se bem à questão, acerca do primeiro nada se ouviu. MST ignorou e seguiu em frente.

Falou-se do apoio do Luís Figo ao PS e do contracto que celebrou com o Taguspark que alegadamente servia como pagamento de favores. Sócrates desmentiu que ambos os factos tivessem uma ligação. Assumiu uma postura feroz de defesa da sua honra chegando ao ponto de "posso falar também em nome do Luís Figo". Notou-se o incómodo que toda a situação teve no PM.

Depois o caso PT e as escutas que saltaram para os Jornais. Sócrates esteve constantemente a dizer que o facto das escutas serem públicas era ilegal e que não as queria comentar de forma a não pactuar com isso. MST realista afirma que apesar de concordar com o PM não se pode "fazer de conta" que os factos não existem. Contundente. O PM ainda afirmou que não existe qualquer escuta entre ele e Armando Vara, que o Rui Pedro Soares foi director na PT durante 5 anos antes de ser administrador (contrariando a tese que foi lá posto pelo Governo como administrador) e que a responsabilidade das palavras "escutadas" é de quem as proferiu. Apesar do incómodo (novamente notório) não esteve mal. Agora é difícil de acreditar que nada sabia dado o negócio ser de conhecimento de tanta gente da sua esfera política. Provavelmente será um daqueles assuntos que morrerá. Sócrates defendeu-se com o julgamento jurídico do Supremo e da PGR. E legalmente não deixa de ter razão. Moralmente é outra questão... Assumiu o desgaste de imagem que todos estes casos lhe provocam,mas não teve medo de pegar no Freeport ou na Licenciatura de forma a citar casos anteriores em que a Justiça assumiu que em nenhum tinha beneficiado. O facto é esse.

Do abortado negócio da PT para o Jornal de Sexta da TVI. Sócrates recusou-se a responder se lhe agradou o fim do Jornal (a resposta era demasiado óbvia, mas percebe-se a recusa). No entanto ainda assumiu que o programa não era jornalismo. Era um ataque político. Das poucas vezes que vi o Jornal de Sexta não posso deixar de concordar.

Quando a entrevista deu um salto para o domínio económico, Sócrates esteve bem. Mostrou um domínio dos números (lembram-se do Guterres?) e demonstrou uma confiança que não esteve presente na primeira parte da sua intervenção. Comparou o nosso défice com o da Zona Euro e o da OCDE e ainda citou o prémio Nobel da Economia Paul Krugman que defende o investimento público com a frase"o Défice salvou o Mundo". Francamente bem o PM nesta fase.

Fiquei com a ideia final que Sócrates está para durar a totalidade da legislatura. Pelo menos se dele depender. E está com vontade para governar. Resta saber se o consegue...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tiger, esquece lá isso

Após meses de silêncio, Tiger Woods convocou uma conferência de imprensa e veio esta tarde, perante os milhares de pessoas que assistiram às declarações, pedir desculpa por um comportamento impróprio. Em causa está a sua suposta dependência de sexo e os inúmeros casos extraconjugais que manteve ao longo dos anos.

As palavras de autocomiseração - "É difícil admitir que preciso de ajuda, mas é assim mesmo" -, a postura de vergonha com que se apresentou - "Fui infiel, mantive casos e enganei. O que fiz não é aceitável e sou o único culpado" -, tudo aquilo me meteu um imenso nojo e me tresandou a circo mediático da pior espécie.

Não querendo medir a envergadura do seu arrependimento, questiono-me sobre a necessidade de trazer uma questão que é meramente particular para a praça pública. Assisti às declarações na CNBC e fiquei completamente siderada quando ouvi um dos apresentadores defender que Tiger deveria ter vindo desculpar-se em público há muito tempo e que devia uma explicação aos seus seguidores.

Bolas, as desculpas que ele deve são à mulher e, convenhamos, não deve haver muita gente no mundo que possa legitimamente apontar-lhe o dedo por ter sido infiel.

Fez-me especial confusão o ar condoído de Tiger Woods, como se carregasse às costas o peso de mil mundos. Como se a traição à mulher o transformasse num ser desprezível e sem moral, um verme rastejante que não merece viver e deve carregar para sempre o estigma da vergonha. Em bom português se diz: é preciso ter lata!

Traiu, e isso não é bonito, mas que atire a primeira pedra quem nunca errou. Há mesmo necessidade de fazer disto um acontecimento tão relevante para a humanidade como o massacre de Srebrenica?

E, já agora, para os defensores do argumento de que Tiger é um herói nacional e tem a responsabilidade de dar bons exemplos às crianças que o admiram, vejam lá bem se não é pior exemplo arrastar pela lama mediática o nome da mulher do que proteger a sua dignidade e resolver o caso entre as paredes do lar. Há coisas que é como dizia a minha sábia avó: quanto mais lhes mexes, mais mal cheiram.

E só para terminar, também gostava imenso de saber o que é isso de se ser viciado em sexo. Será que há indicadores científicos que definem o número de vezes que alguém pode praticar o acto por dia? Então e se ultrapassar esse índice do amor só uma vez ou duas no dia dos namorados, deve o prevaricador ir inscrever-me nos sexólicos anónimos? E com que critérios chegaram a este número? Será que ter muitos orgasmos ao longo da vida nos faz mal à saúde, ou ficamos só com os olhos tortos?

Ou será que andamos (outra vez) a tentar rotular de comportamento desviante tudo aquilo que não compreendemos? Assim de repente, lembro-me de já termos andado a queimar mulheres na fogueira e de querermos “curar” homossexuais porque a coisa nos metia espécie.

Moral do post: E meterem-se na vossa vida, não? Chiça!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mais pão e circo...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

World Press Photo 2010 - Os vencedores

De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório
Henri Cartier-Bresson


2º Prémio na Categoria Temas Actuais: Girafa morta pela seca no Quénia, Stefano de Luigi (Itália)


And the Winner...are....

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Invictus


Esqueçamos por momentos a nova "dentadura" do Morgan Freeman. Esqueçamos do bronze plástico do Matt Damon . Esqueçamos as imagens digitais nos estádios (sobretudo as da final no "mítico" Ellis Park de Johannesburg). E esqueçamos também do expoente máximo em termos de realização do Clint Eastwood, que para mim é o "Cartas de Iwo Jima".

Esqueçamos tudo isso e entremos no Invictus...

A história (baseada em factos reais, o que para mim influencia sempre na escolha de um filme) é simples. Um recém empossado presidente Nelson Mandela (Freeman) vê no campeonato mundial de Rugby (o desporto de excelência da minoria branca e símbolo do apartheid) a realizar na África do Sul (em 1995) uma oportunidade de ouro para reconciliar uma nação dividida. O seu "braço direito" nesta tarefa acabará por ser o capitão dos Springboks (a equipa nacional de rugby): François Pienaar (Damon). Uma equipa sem grandes possibilidades de vencer as melhores equipas do mundo é consagrada numa final frente aos todo-poderosos All Blacks da Nova Zelândia lideradas por essa força da natureza (e quem percebe alguma coisa de rugby sabe o que digo) : Johan Lomu.

A narrativa tem imensos planos de bairros miseráveis, da prisão de Robben Island, da libertação de Mandela por ordem do presidente De Klerk, imagens de arquivo dos principais momentos em que dura a história, de pequenos momentos de conflito racial e sobretudo de sorrisos de pequenas crianças pobres.

Não atinge o brilhantismo das "Cartas de Iwo Jima", mas também não se pode pedir a um génio 2 obras primas.

"Invictus" vale a pena.Sobretudo para quem como eu viveu aquelas imagens pela TV e se lembra do presidente Mandela com o polo dos Springboks na célebre final...